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Silêncios

por Lhuna, em 07.05.12

Paredes cobertas de segredos. Pintadas durante anos por famílias desconhecidas. Com amor e tristeza. Corredores vazios sem nada para contar. Transparências de uma vida passada deixavam-se notar pelas janelas. Lá fora pouco restava. Era uma casa vazia, sem vida. Repleta de memórias de quem já amou.

O esquecimento da noite levava aos poucos o que ela guardava sem saber. Perdia-o inutilmente em cantigas de embalar que o vento lhe cantava ao ouvido. Doces e gélidas, que se prendiam em nós. Pequenos nós pendendo do teto em cada divisão. Finos e intocáveis. O chão já mal rangia, ou se o fazia era inaudível para ela. Habituada ao ensurdecedor silêncio de um lar abandonado.

Procurava redenção sem nunca a encontrar. Procurava vida. Levou levemente a mão ao peito. À casa vazia, chamou-lhe coração.

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publicado às 19:34


4 comentários

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De sacha hart a 07.05.2012 às 20:04

Nunca li texto mais belo. Arrancaste-me o fôlego, Lhuna. E tudo se resumiu a isto "À casa vazia, chamou-lhe coração." Simplesmente divinal.
Parabéns.
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De sacha hart a 07.05.2012 às 20:45

Mas é assim, divinal. As palavras que escreves parece que vêem carregadas de história, intriga e são apaixonantes, pelo menos é o que sinto.
Fico feliz por teres gostado (:
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De lostdreams a 07.05.2012 às 21:02

tao lindo...
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De lostdreams a 08.05.2012 às 14:44

é mesmo...
de nada (:
beijinhos

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"I was never insane except upon ocasions when my heart was touched"
- Edgar Allan Poe


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